sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Fotografias




Hoje é "O Dia Do Lençol". Toda a sexta-feira, depois que acordamos, tiramos os lençóis da cama e colocamos para lavar, então eu ajudo minha mãe a arrumar a cama dela, já que dês que ela teve um hernia de disco na coluna, ela não consegue mais se abaixar e se curvar, ou qualquer coisa que exija muito da coluna dela.
Então, pela manhã coloquei os lençóis para lavar, e minha mãe disse para eu pendura-los nos varais que ficam dentro da área de serviço, caso chovesse.  Então, depois que a máquina terminou de trabalhar, os pendurei lá; á tarde minha foi recolher os lençóis. Só ouvi ela gritando:

_RACHEL ELIZABETH DARE!
Senti um frio na barriga, por que se ela me chama pelo nome inteiro, é por que eu consegui arrumar um problema. Fui correndo pelas escadas até a área de serviço, e minha mãe estava parada na frente do varal que fica a cima do tanque de lavar roupa, que estava com alguns baldes de água dentro. Olhei em volta, sem entender a fúria da minha mãe.
_Oque foi?_ Perguntei.
_O outro varal serve para oque?_ Ela perguntou entredentes, com as mãos inchadas na cintura, os punhos fechados.
_Para a mesma coisa que esse.
_E por que, exatamente, você não pendurou os lençóis no outro varal?
_Por que os lençóis cabiam nesse.
Minha mãe apontou para os baldes com liquido que estavam no tanque. Uma parte do lençol da cama dela estava mergulhado.
_Mãe, se você está brava por que eles ficaram molhados, é só trocar de varal..._ Comecei a me explicar, mas ela negou com a cabeça.
_Quem dera que estivesse só molhado! Você tem ideia do que tem nesses baldes?
Pensei um pouco. Definitivamente não era água, pois estava meio branco.
_Não._ Fui honesta.
_QUIBOA!_ Minha mãe gritou e puxou a ponta do lençol que estava mergulhada no balde. O Lençol era vermelho, mas aquela ponta estava de um rosa bem claro, chegando ao branco.
Engoli um seco, e minha mãe me deu um tapa no braço, de raiva.
_VIVE NO MUNDO DA LUA! NÃO PRESTA ATENÇÃO EM NADA!!
Ela falou isso com raiva. Oque me deixou com raiva também.
_COMO EU IRIA SABER QUE TINHA QUIBOA AÍ?_Perguntei no mesmo tom de voz.
_ERA SÓ POR NO OUTRO VARAL!_ Ela gritou de volta.
Sacudi a cabeça e comecei a voltar para o quarto, chutando as coisas e murmurando palavrões. E me lembrei de uma coisa. Da primeira vez que minha mãe brigou comigo, pelo menos, que eu me lembre. Acho que eu tinha quatro anos, não sei bem. Ainda morávamos no apartamento. Minha mãe era professora, e estava no computador, digitando as aulas da próxima semana. Me lembro que era noite, mas meu pai não estava em casa. Queria que a minha mãe brincasse comigo. Peguei meu carrinho cor-de-rosa e enfiei algumas bonecas de pano nele. Me lembro de sentar à porta do escritório e pedir para ela brincar, mas ela disse que não. Então fiquei brincando com as bonecas ali na porta do escritório, quando minha mãe se virou para mim e pediu silêncio. Fiquei quieta por um tempo e perguntei novamente se ela queria brincar, ela falou que não e então voltei a brincar sozinha, e minha mãe se virou e gritou:
_CALE ESSA BOCA! PARECE UM PAPAGAIO, FALANDO SEM PARAR! COISA INSUPORTÁVEL!
E eu comecei a chorar. Chorei por um bom tempo, então acho que minha mãe começou a se preocupar. Então ela falou para eu ficar quieta e disse que queria bater uma foto minha. Eu sempre me animava com fotos. Ela bateu a foto de mim e me mandou para a cama. peguei o carrinho na mão e me lembro de perguntar:
_Mamãe, eu não jantei ainda.
_Eu também não, e não estou reclamando, estou?_ Me lembro dela falar._ Ande logo deitar.
Então ela fechou a porta do escritório. Acho que foi a primeira vez que fui dormir sem janta.
Quando me lembrei disso, só me deixou com mais raiva ainda. Ela não cuidara de mim quando eu era bebê. Minha tia cuidava de mim de manhã, por que estudava à tarde. Minha prima mais velha cuidava à tarde, por que estudava de manhã e minha vó me cuidava à noite, até meus pais chegarem. Eu nunca tomei o leite da minha mãe. Nunca. Isso me deixou enfurecida. Joguei todas as coisas da minha bancada no chão. Depois que me acalmei um pouco, decidi ajudar ela arrumar a cama dela, afinal, se eu não o fizesse, talvez ela ficasse mais enfurecida ainda comigo.
Desci as escadas com cuidado e fui até o quarto dela. Ela estava parada, com a mão no ombro direito. Faz uns dois anos ela fez uma cirurgia no pescoço, mas o médico cutucou m nervo do ombro direito dela, que fez que o ombro doesse ás vezes. tentamos entrar com um processo contra ele, mas não temos dinheiro o bastante. Enfim, eu sei que quando ela está com a mão no ombro, ela está com dor. Ela estava de costas para mim.
_Mãe?_ Falei._ Tudo bem?
_Sim._ ela falou, e era a sua voz de choro.
_Quer um remédio?
_Já tomei?
_Chá?
_Já tomei.
_Coca-Cola?
_Já tomei.
_Quer que eu arrume a cama?
_Já arrumei.
Me senti culpada. Eu deveria tela ajudado a arrumar a cama, e teria o feito se não tivesse mergulhado o lençol na quiboa, e deixado-a com raiva. Ela estava com dor por que tinha arrumado a cama sozinha. Concordei com a cabeça e ela me pediu para dar banho na Mel.
_Mas mãe, faz pouco tempo que dei banho nela._ Falei.
_Rachel Elizabeth Dare, vou ter que pedir novamente?_ Ela falou brava. Chorando de dor, mas ainda brava comigo. E eu ali me sentindo culpada.
Então saí brava novamente. A Mel estava na rua deitada no sol, como ela gosta de fazer á tarde. Eu sempre conto tudo para a Mel, como eu escrevo aqui. Tenho a sensação de que ela entende, de certa forma. Ela estava calma. Coloquei a mão no lombo dela, para pega-la para o banho, e ela virou a cabeça me rápido e me deu uma mordida. Com raiva. Então ela levantou e saiu, e eu comecei a chorar. Não por que a mordida havia doído, mas o fato de ela ter me mordido doeu. Dou eu muito. Minha mãe estava brava comigo e agora meu cachorro também, e eu nem sabia o motivo.
Dirigi-me á escada, para subir de volta ao meu quarto, e observei as fotografias. Na parede da escada temos várias fotografias, antigas, de toda a família. Ás vezes só da minha mãe e só do meu pai, mas várias fotografias.

E eu parei para olhar especialmente uma. Uma da minha mãe. Ela está com os cabelos loiros bagunçados bem rebeldes, e um flor amarela atrás da orelha. Os olhos dela estão de um verde bem vivo, combinando bem com o sorriso alegre. Ela estava rindo na foto. Então pensei em como as pessoas nas fotografias parecem sempre muito mais felizes do que nós somos, propriamente ditos. As pessoas nas fotografias estão sempre rindo, sorrindo alegremente ao algo do tipo. Quando eu tiver meus filhos, vou fazer questão de dizer que, embora eles achem futuramente, eu não fui mais feliz que eles. A foto que minha mãe havia batido de mim na por ta do escritório naquela noite é uma prova disso. Mas acho que as fotografias dão essa impressão de que as pessoas era mais felizes por que são batidas em momentos felizes e, como a foto nunca muda, parecesse que torna ela mais feliz. Não sei. Me deu vontade de ser só uma fotografia. Gargalhando para sempre com os cabelos ondulando no vento, feito ondas no mar. Ficar simplesmente parada sorrindo, sendo a fotografia batida no momento feliz, no momento feliz que já passou, mas o riso na fotografia não. Quando pensei nisso, chorei ainda mais. E pensei que se batesse uma boto daquele momento, teria um foto de um momento triste da qual eu não sorriria com falsidade. Claro que não fiz, mas pensei nisso. Acho que falei coisas confusas demais. Mas ainda continuo pensando nisso, sabe? Ser feliz para sempre. Como uma fotografia de anos atrás. É.
Um fotografia de um sorriso que dura para sempre...

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