segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Paços No Teto


Eu estava na casa da praia, e peguei meu livro para ler escondida, embaixo da janela de um quarto lá que chamamos de "Quarto do Meio" (não me pergunte por que ele se chama assim, ele nem fica no meio da casa!). Abri o livro e ouvi vozes dentro do quarto.
Eram as vozes do meu irmão e meu primo conversando.
_Você também ouviu?_ Meu irmão perguntou.
_Ouvi sim, uma vez que dormi aqui._ Respondeu meu primo._ A noite toda. Oque deve ser?
_Não sei... A vó disse que já exterminaram todos os bichos que ficavam ali no forro, colocaram veneno, e fecharam todas as entradas possíveis. Coisa viva não é.
_Sorte que vamos embora hoje. Eu é que não quero descobrir oque é isso.
_Nem eu. Vamos nessa.

Meio intrigada, levantei dali. Dei tchau para eles, que estavam voltando para casa na cidade e perguntei para a minha mãe se eu podia dormir no quarto do meio. Ela disse que sim, mas a minha prima Juju (que tem problemas mentais) quis dormir lá também, já que tinham duas camas lá. 

A noite chegou e eu arrumei as camas. Assim que Juju deitou, ela dormiu, mas eu fiquei lendo por um bom tempo. A mãe dela foi no quarto dar boa noite e apagou a última luz do corredor, deixando a casa toda apagada, sem contar o quarto do meio, claro. Olhei no relógio: 23:47. 
Continuei a ler. Depois que meus olhos começaram a pesar, eu fechei o livro e apaguei a luz, deitando a cabeça no travesseiro, quando me lembrei da conversa do meu irmão com o meu primo. Um calafrio percorreu minha espinha.

O quarto estava quente, principalmente com a falta de um ventilador, mas naquele momento, a temperatura pareceu cair 20 graus. Ouvi passos no teto. Passos pesados, andando de um lado para o outro no forro, e de repente a conversa de meu irmão com meu primo pareceu fazer sentido. 

"Coisa viva não é." Meu irmão tinha dito.

Levantei da cama correndo. Pelo oque eu tinha entendido, aquilo era só no quarto, então me mandei. Apoiei as mãos nas cadeiras de balanço da sala, tremendo de frio, quando ouvi um sopro vindo das minhas costas. Me virei, e vi um rosto branco com cabelos escabelados e olhos azuis. Tropecei nas cadeiras e quase caí com o susto, quando me dei conta que estava vendo meu próprio reflexo no espelho do banheiro dooutro lado da cozinha.
Observei que a Janela que fica a cima do espelho estava aberta, e presumi que era por isso que tinha ouvido o sopro. Caminhei até o banheiro para fechar a janela quando, na porta fechada do box, ouvi "toc-toc", como se alguém quisesse sair do box. 
Corri de volta para o quarto, e quando abri a porta, vi de pé entre as duas camas uma figura vestida de branco. Quase tendo um piripaque, fechei a porta do quarto novamente e entrei no banheiro que fica na frente do quarto do meio. No banheiro estava mais quente, mas depois de um tempo, começou a esfriar. Fumaça branca saía da minha boca de tão frio.
Ouvi os paços no teto novamente, e abri a porta no banheiro, dando de cara novamente com a figura vestida branco: Minha prima.

_Tá tudo bem?_ Ela perguntou.
Olhei para o teto, que não emitiu nenhum som. A temperatura pareceu voltar ao normal.
_Sim._ Menti._ Vamos para a cama Juju.

Coloquei ela na cama, que dormiu no mesmo instante, mas me manti acordada, com a luz acesa o resto da noite.

(Isso aconteceu na semana passada)

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